sexta-feira, 2 de março de 2012

Conversa 43.


Desfilo todas as noites nos teus devaneios, nos teus prazeres solitários da carne,nas tuas fantasias mais íntimas e agradáveis, tudo é primitivo nesse turbilhão de sensação que sinto ao te ver do outro lado e como um perfeito idiota estico os braços para tocá-la mas a sua distância nunca me permitiu chegar, passar por perto ao menos .Eu sinto tua fome infame de me ter em teus braços de seda,sinto por ser teu mal, tua cura, teus desejos em noites pardas e escuras, sinto por ser teu carnaval, teu pecado, teu erro,teu medo,tua ternura.Sinto na pele crua a dor de não poder te tocar, por ser todo esse jogo de perigo que te circula.Peço perdão por ter sido esse covarde que nunca conseguiu te abandonar, que nunca saiu de perto de ti, que nunca saiu de dentro de ti,  e em circunstância alguma sairá.E essas nossas histórias diferentes, e esse nosso tempo diferentes, e essa contextualização do que sentimos totalmente reprimida.E toda essa imã que é esse sentimento sem nome que nos abraça nas noites frias e silenciosas dos nossos quartos,te isolei dentro de mim, como humana, como amor, como amada,como ser...ser ? Ser assim, um drinque , um brinde.Um amor-paixônico que sinto por ti, amor de dama-vagabunda que vaga as noites feito uma cadela a tua procura, que vai morrer poeticamente nesses versos que penso ser mentirosos, na tua particularidade de existir dentro de mim, te pus no altar meu amor de versos noturnos, de versos distantes,e tomo mais uma taça na certeza de tua chegada por aquela porta.E espero não morrer nos meus goles, e que eles não tenham mais o gosto amargo,solitário de quem ama só.Vá meu amor, venha amor.E volte sempre que precisar.

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