terça-feira, 10 de julho de 2012

Recordação.


Eu quando me vejo, olhos lavados, cara lavada e coração sangrando. Recordo-me com sutileza da beleza dela, olhos vidrados, notas de meu violão, que sempre escuta os meus desabafos sem queixar-se. Embora amá-la me causa todo esse mal-estar, atrevo-me a pegar o lápis e despir uma prosa pelo papel-companheiro-de-cada-dia,é uma sensação de amoródio que sinto sempre que ti escrevo. Às lágrimas desgovernadas passeiam sobre a face e parecem dançar uma valsa desgraçada que penso não ter fim. Eu sempre enfeito minha tristeza, para que ela desfile civilizadamente pelos córregos, e não me desaponte.Tristeza não pode andar desarrumada, ela tem que tá sempre bonita para que seja bem falada; bela, maquiada, salto fino pra poder pisar no calçamento do chão de outros, e assim manter a linha.Tento enfrentar meu adeus tendo um bom diálogo com meu vinho, já que o cigarro não se faz mais tão presente como antes, e conversamos por horas e mais horas e ele se rir das minhas estórias sempre contadas infinitamente, sempre viradas em poesias noturnas como fiel amante da noite.E ele não me leva a sério quando digo que pedi a lua em casamento, porque sempre quando olhava nos olhos dela ela me dava uma estupenda sensação de confiança e assim  me fazia formosa, graciosa com seu modo doce de me intimidar. Ela me aproxima de um sentimento morfado e verde. Verde lodo. E fico nessa de olhar o relógio, só pra ver as voltas dos ponteiros nos minutos apresentados, e saio ás vezes pra beber uma água fria, e respirar o cheiro bom e poluído da cidade agitada. E encontro uma caixa oca, e deixo-a esborrando. E dentro dela deposito minhas mágoas, minhas feridas. E fico na saleta aguardando o destinatário, e a devolução. 

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