Eu quando me vejo, olhos
lavados, cara lavada e coração sangrando. Recordo-me com sutileza da beleza
dela, olhos vidrados, notas de meu violão, que sempre escuta os meus desabafos
sem queixar-se. Embora amá-la me causa todo esse mal-estar, atrevo-me a pegar o
lápis e despir uma prosa pelo papel-companheiro-de-cada-dia,é uma sensação de
amoródio que sinto sempre que ti escrevo. Às lágrimas desgovernadas passeiam
sobre a face e parecem dançar uma valsa desgraçada que penso não ter fim. Eu
sempre enfeito minha tristeza, para que ela desfile civilizadamente pelos
córregos, e não me desaponte.Tristeza não pode andar desarrumada, ela tem que
tá sempre bonita para que seja bem falada; bela, maquiada, salto fino pra poder
pisar no calçamento do chão de outros, e assim manter a linha.Tento enfrentar
meu adeus tendo um bom diálogo com meu vinho, já que o cigarro não se faz mais
tão presente como antes, e conversamos por horas e mais horas e ele se rir das
minhas estórias sempre contadas infinitamente, sempre viradas em poesias
noturnas como fiel amante da noite.E ele não me leva a sério quando digo que
pedi a lua em casamento, porque sempre quando olhava nos olhos dela ela me dava
uma estupenda sensação de confiança e assim me fazia formosa, graciosa com seu modo doce
de me intimidar. Ela me aproxima de um sentimento morfado e verde. Verde lodo.
E fico nessa de olhar o relógio, só pra ver as voltas dos ponteiros nos minutos
apresentados, e saio ás vezes pra beber uma água fria, e respirar o cheiro bom
e poluído da cidade agitada. E encontro uma caixa oca, e deixo-a esborrando. E
dentro dela deposito minhas mágoas, minhas feridas. E fico na saleta aguardando
o destinatário, e a devolução.
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