quinta-feira, 12 de julho de 2012

O adeus de Alzira


Ela quis ver de perto o cálice da sua alma e se fizera de louca para na pele sentir os gritos levemente abafados na sala de estar, enxugara suas dores em uma toalha branca encardida que no bordado estava escrito ‘Alzira’. Alzira sem cor, sem tom, sem pele era apenas mas um nome vazio e mal lembrando,puxara as cortinas da sua sala pequena porque o que passava na cabeça daquela mulher eram águas cheias de lodos, era verde. VERDE MORTO.E não tinha essa de esperança no verde, era quase o mundo desabando lentamente na sua cabeça e Alzira ??  Entrava apenas no intervalo de minhas pausas enquanto eu fumava apressadamente meu último cigarro,não sonhei muita coisa pra Alzira não, mas sabia que ela tinha o mundo em suas mãos, mas era muito moça ainda embora seu coração fosse gigantesco e os seus sonhos fábulas ultrapassadas de menina grande.Era triste, às vezes vazia,olhar pra ela causava um desconforto parecia  tomar café frio pela manhã e os seus dias eram todos mimados mas frios, e falo desse frio que a gente sente no inverno,congelante.Alzira não sabia ganhar presentes, tão pouco sorrir às vezes que flagrei Alzira rindo era para não demonstrar tamanho grau de sofrimento ria com os dentes apenas, e o mundo parecia escapar-lhe entre as palmas da mão.Avistava todos os dias o seu caminhar desconsolado pela lateral da janela do meu quarto que ficava de frente a calçada pobre e infeliz da moça ,várias foram as tentativas de diálogos com a tal,mas aparentava está morta em vida e isso era intrigante. Certo dia encontrei-a cabisbaixa sentada e pensamente frente ao mar, sentei ao lado em mas uma tentativa de aproximação,Alzira olhava infinito e não quis atrapalhar seu silêncio e foi aí que Alzira movimentou alguns músculos da boca e baixo disse: -Sorria, eu estou tão viva quanto vocês.
Deu-me as costas, levantou e saiu...
Alzira foi embora e enterrou seu coração, nunca mais a vi.
E foi embora mesmo...

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